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Em 2009 ajudamos 30 crianças, em 2010 ajudamos 195 crianças, em 2011 ajudamos 374 crianças, em 2012 ajudamos 975 crianças, em 2013 ajudamos 1.304 crianças, em 2014 ajudamos 1.256 crianças, em 2015 ajudamos 1.165 crianças e em 2016 já ajudamos 600 crianças.

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O amor como fundamento essencial

Apostar na criança, amando-a incondicionalmente, é uma forma de fazê-la acreditar que é capaz.

 Criança feliz? Ao pensar nesta questão, lembrei-me de uma canção de infância: “Criança feliz, feliz a cantar, alegre a embalar, seu sonho infantil....”. “Sonho infantil...” Que sonho seria esse? Quem embala o sonho de nossas crianças para serem felizes? O que faz uma criança “feliz”? Quais as bases que não podem faltar para a criança ser feliz?
Ser pai e mãe é uma tarefa exigente. Muitos se preparam para isso, mas também muitos são surpreendidos pelo inesperado. O fato é que a criança que está por vir merece todo cuidado e carinho para desenvolver-se adequadamente. Além das necessidades materiais, às vezes preocupação exagerada de famílias mais abastadas, é preciso saber que o essencial não depende disso: são as estruturas emocionais, bases seguras para a construção da autonomia e força interior.
Dizem os especialistas que até os seis anos se formam todas as estruturas principais da personalidade. É um tempo em que “as marcas” de quem somos se definem: uma pessoa que acredita ou uma pessoa insegura.
O bebê, se estiver inserido num ambiente facilitador, será, segundo Winnicott (psicanalista inglês Donald Woods Winnicott, 1896-1971), uma “pessoa que acredita”. Este ambiente facilitador requer uma mãe satisfatória que se identifique com o bebê e satisfaça suas necessidades, mostrando que existe um apoio para que ele evolua. A atitude da mãe que Winnicott denominou “suficientemente boa” terá reflexos na vida e na escola, pois o aluno aprende porque tem a capacidade de crer. O mundo e todos os conhecimentos que dele provêm serão carregados de uma significação positiva, e não ameaçadora. Comprovando esta ideia, vemos em Winnicott (1996): “Somos pessoas que acreditam. ...Acreditamos porque alguém nos proporcionou um bom início. Recebemos uma comunicação silenciosa, por um certo período de tempo, de que éramos amados, no sentido de que podíamos confiar na provisão ambiental, e portanto continuamos com nosso crescimento e desenvolvimento.” (p.115).

Contatos - Assim, percebemos que os primeiros contatos são determinantes, especialmente da mãe: o toque, o olhar, o embalar, acarinhar, conversar, cantar para o bebê. Esta comunicação afetuosa é determinante para a constituição positiva do indivíduo. O olhar para si mesmo é intensamente influenciado pela forma através da qual cada um é visto em seus espaços de convivência. O bebê assim cuidado terá, na fase seguinte, a capacidade de “olhar-se” como um ser capaz, um ser que acredita e “mostrar-se” também dessa forma. Conforme (o teólogo gaúcho Hugo... 1933-2008) Assmann (2000), “somos uma construção provinda de olhares, carinhos, atenções, gestos e palavras que possibilitam a nossa identidade enquanto seres respondentes e dialogantes.”
Segundo (o neurobiólogo chileno Humberto) Maturana (1998), o amor é a emoção fundamental. Sem ele a vida é impossível. É condição necessária para o desenvolvimento físico, comportamental, psíquico, social e espiritual normal da criança, também para a conservação da saúde física, comportamental, psíquica e espiritual do adulto. Maturana diz que nós, seres humanos, nos originamos do amor e somos dependentes dele. Na vida humana, a maior parte do sofrimento vem da negação do amor. Ele afirma isso, não apenas no aspecto emocional, mas com base na biologia. Também coloca que 99% das enfermidades humanas têm a ver com a negação do amor.

Dignidade - A aspiração mais profunda do ser humano é a necessidade de apreciação. Sentir-se amado tal qual é. Quando não se sente aceito totalmente, algo se quebra dentro dele. Ser aceito significa que as pessoas com quem convive lhe dão um sentimento de dignidade e respeito próprio e o fazem sentir que é alguém que vale a pena. Ser aceito significa que lhe dão espaço para crescer. Já não esperar nada de alguém é o mesmo que dizer que não será capaz de nada. O que somos é uma resposta ao que os outros dizem a nosso respeito. A criança constrói um modelo interno de si mesma, dependendo de como foi cuidada.
Sabemos que o que é salientado cresce: o erro ou a ação positiva. Podemos fazer elogios enaltecendo o quanto valeu uma ação pelo esforço demonstrado ou elogiar o sucesso. Se enaltecermos o esforço, provavelmente diante de um novo desafio, a criança vai se sentir motivada a repetir o esforço, pois aprendeu que o que vale é a tentativa. Se elogiarmos o sucesso ela pode não aceitar alguma tarefa com medo de decepcionar se não conseguir fazer. Se enaltecermos o sucesso, ela vai se sentir na obrigação de alcançá-lo sempre, demandando uma autoexigência que não é saudável emocionalmente.
Ouvimos muito elogios à superficialidades ou aparências. “Acho você muito esperto, meu filho”, “Como você é charmoso!”, “Que vestido bonito”! “Seus olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações para agradar a criança. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e à fragilidade emocional estará presente.
Apostar na capacidade da criança, amando-a como ela é, sem exigências exageradas quanto ao seu desempenho, incentivando-a a cada ação, corrigindo o erro, mas deixando claro o amor incondicional por ela, é uma forma de fazê-la acreditar que é capaz, ajudando-a a construir uma imagem positiva de si. Essa imagem positiva é o amparo seguro de que precisa para enfrentar, no futuro, os desafios que a vida apresenta.
A pessoa é preciosa, independentemente das coisas que possui, dos acertos ou erros em suas ações. É importante que possa sentir sua existência como significativa para os que a cercam: família, trabalho, grupos, sociedade... O sentimento de “pertença” é fundamental. Esta é “minha família”, “aqui é meu lugar”. O afeto é motor cognitivo, mobilizador das energias e possibilidades internas. Ele faz brotar o melhor de cada um e a confiança básica de que a vida é boa, capacitando-se a ser alguém no mundo.
Nestes tempos de famílias que acontecem “em qualquer de repente”, estarão os pais conscientes dessa responsabilidade e capazes deste amor? Erramos por não conhecer muitas coisas no momento de termos nossos filhos, mas o fundamental é que tenhamos muito amor para dar.

Consciência - Desse modo, sabendo que o amor é tão determinante, é preciso que todas as instituições preocupadas com a criança e seu desenvolvimento pleno possam também cuidar e orientar os pais, resgatando neles a autoestima e a dignidade fundamental de cada ser humano. Os pais que têm essa consciência pessoal estarão mais serenos e tranquilos para ser o amparo seguro para o desenvolvimento das bases para que a criança possa ser feliz, crescer segura e tornar-se sujeito que acredita em si, nos outros e na possibilidade de construir um mundo melhor.

 

Geni Maria Onzi Isoppo

Professora e pedagoga

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- Madre Tereza